Bahia investiu mais de R$ 2,3 bilhões no esporte e lidera ranking do Nordeste
A Bahia consolidou-se como o estado nordestino que mais investiu em políticas públicas de esporte ao longo das últimas duas décadas, assumindo posição de liderança regional em um setor cada vez mais estratégico para o desenvolvimento social, educacional e econômico. Entre 2002 e 2023, os estados do Nordeste destinaram mais de R$ 7,7 bilhões ao esporte e ao lazer, evidenciando um crescimento expressivo e contínuo dos aportes públicos.
De acordo com a análise realizada pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR), “a Bahia lidera o ranking quando o recorte é o investimento por manifestação esportiva, destinando mais de R$ 2,3 bilhões ao esporte de alto rendimento ao longo da série histórica, acima dos demais estados da região”. O dado reforça o protagonismo do estado em políticas voltadas não apenas à base esportiva, mas também à formação e consolidação de atletas de elite.
O levantamento mostra ainda que Bahia, Ceará e Maranhão concentram os maiores volumes de recursos investidos no esporte no Nordeste, refletindo políticas públicas mais estruturadas e maior capacidade de mobilização orçamentária. No caso baiano, o volume acumulado ao longo de 21 anos evidencia uma estratégia de longo prazo, que articula esporte educacional, inclusão social e alto rendimento.
Outro destaque do estudo diz respeito à Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo federal que tem ampliado o alcance das políticas esportivas na região. “Foram direcionados R$ 380,5 milhões para o Nordeste no período, com Bahia (R$ 96.614.803), Ceará (R$ 84.038.343) e Maranhão (R$ 81.210.083) liderando a captação de recursos”, informa o levantamento. O desempenho baiano nesse recorte confirma o protagonismo do estado também na atração de investimentos incentivados.
Os projetos educacionais concentram a maior fatia desses recursos e respondem por mais da metade das pessoas atendidas. Conforme o material analisado, “os projetos educacionais representam a maior fatia dos investimentos e concentram mais da metade das pessoas atendidas”. Ao todo, 982.502 pessoas foram beneficiadas no Nordeste, com predominância de projetos desportivos, seguidos por iniciativas paradesportivas e de rendimento, o que evidencia o impacto social e comunitário dessas políticas.
O Programa Bolsa Atleta aparece como outro eixo estruturante do crescimento do esporte na região. Desde 2010, “o Programa Bolsa Atleta destinou 11.870 bolsas (R$ 184 milhões) a atletas residentes no Nordeste”, com destaque para Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. A Bahia figura entre os estados com maior número de beneficiados, com 2.199 bolsas concedidas entre 2010 e 2024, reforçando seu papel na formação de atletas de alto rendimento.
No total, foram 7.035 bolsas olímpicas e 3.520 paralímpicas, contemplando modalidades como atletismo, natação, handebol e boxe. Para os pesquisadores, o volume de bolsas concedidas confirma o Nordeste como um importante polo nacional de desenvolvimento esportivo.
Apesar do avanço expressivo, o estudo ressalta desafios estruturais. “Embora a evolução dos recursos seja evidente, o retrato regional revela fortes assimetrias entre estados nordestinos, diferenças significativas entre o financiamento estadual e o municipal e um papel crescente de mecanismos federais”, como a Lei de Incentivo ao Esporte e o Bolsa Atleta.
Ainda assim, o salto nos investimentos é considerado significativo: a participação do esporte nas despesas totais passou de 0,49% em 2002 para picos superiores a 14% em 2013, impulsionados por grandes agendas esportivas e pelo aumento dos aportes federais nos períodos pré-Copa e pré-Olimpíada. O cenário consolida a Bahia como referência regional em políticas esportivas, com reflexos diretos na inclusão social, na formação cidadã e na projeção nacional do esporte nordestino.
Por Rayllanna Lima
Foto: Renan Cacioli/CBDV