Radares de Salvador registram mais de 300 mil multas em 2025

Por Nossa Hora
Segunda-Feira, 02 de Fevereiro de 2026 às 10:22
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Diariamente, centenas de motoristas são multados na capital baiana. A maioria das infrações são por excesso de velocidade e ultrapassagem em semáforos vermelhos. O valor dessas multas varia a partir de R$ 130 e pode chegar a mais de 850 reais e suspensão da carteira de habilitação.

De acordo com a Superintendência de Trânsito (Transalvador), em 2025 foram registradas cerca de 306.935 multas de trânsito em Salvador, número obtido a partir dos dez pontos de fiscalização eletrônica com maior volume de autuações na cidade. Atualmente, a cidade conta com radares fixos, móveis e lombadas eletrônicas, posicionados em locais considerados estratégicos, como avenidas de grande fluxo e áreas com histórico de acidentes.

O local com maior número de registros é a Avenida Paulo VI, no cruzamento com a Rua das Camélias, com 53.130 infrações. Em seguida aparecem a Avenida Mário Leal Ferreira (Bonocô), na altura do número 509, próximo a um posto de combustíveis, com 40.124 registros, e outro ponto da mesma avenida, próximo à Rua Luiz Anselmo, que contabilizou 36.610 infrações.

Também se destacam a Avenida Presidente Castelo Branco, em frente à Travessa Marquês de Barbacena, com 44.766 registros, e mais um trecho da Avenida Mário Leal Ferreira, nas proximidades do Bonocô Center, onde foram registradas 27.209 infrações.

Na Avenida 29 de Março, dois equipamentos aparecem entre os dez com mais autuações: ambos localizados próximos ao acesso ao Jardim Nova Esperança, somando 24.492 e 22.689 registros, respectivamente. Outro ponto com volume elevado é a marginal da Avenida Luís Viana Filho (Paralela), após a saída da 3ª Avenida do Centro Administrativo da Bahia (CAB), com 19.929 infrações.

Os dados da Transalvador são referentes ao período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025 mostram que dez pontos de fiscalização eletrônica concentram o maior volume de registros de infrações na cidade.

Além de fiscalizar o excesso de velocidade, os equipamentos também registram avanço de sinal vermelho, parada sobre faixa de pedestres e outras infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Ainda na Avenida Luís Viana Filho, próximo à saída do Parque Tecnológico da Bahia, foram contabilizados 19.570 registros. Fechando a lista, o cruzamento da Rua da Paciência com a Travessa Lydio de Mesquita, no Rio Vermelho, aparece com 18.416 infrações no período analisado.

Segundo o superintendente de Trânsito de Salvador, Diego Brito, a definição dos pontos onde os radares são instalados segue critérios técnicos e estudos de engenharia de tráfego. “A Transalvador considera índices de acidentes, volume de tráfego, características geométricas da via e histórico de sinistros para definir os locais de fiscalização eletrônica. O objetivo é prevenir infrações e reduzir sinistros, e não arrecadar”, afirma.

O órgão destaca que esses números devem ser analisados dentro de um contexto técnico, já que estão diretamente relacionados ao intenso fluxo de veículos nessas vias e, principalmente, ao excesso de velocidade, infração mais recorrente nesses trechos.

De acordo com Diego Brito, o excesso de velocidade, apesar de recorrente, é combatido não apenas com fiscalização, mas também com ações educativas e operacionais. Ele explica que a Transalvador promove campanhas permanentes de conscientização, ações presenciais em vias e áreas escolares, além de treinamentos voltados especialmente para motociclistas, um dos grupos mais vulneráveis no trânsito da capital.

Quem convive diariamente com essa realidade são os motoristas profissionais. O motorista de aplicativo Carlos Henrique Santos, de 38 anos, relata que já foi multado em uma dessas vias de grande fluxo e afirma que a experiência trouxe mudança de comportamento. “Eu achava que estava dentro do limite, mas acabei passando um pouco acima e recebi a multa. No início a gente reclama, mas depois passa a prestar mais atenção”, conta.

Segundo ele, a rotina intensa de trabalho pode contribuir para distrações. “Quando você dirige o dia todo, acaba se sentindo mais confiante na via. Depois da multa, reduzi a velocidade e vi que dá para trabalhar normalmente, só que com mais cuidado”, afirma.

Para o superintendente, a fiscalização eletrônica precisa estar integrada a outras estratégias de segurança viária. “A presença dos radares faz parte de um conjunto de medidas que inclui educação, sinalização e zonas de velocidade reduzida. Quando conseguimos readequar a velocidade média das vias, diminuímos significativamente o risco de acidentes graves e fatais”, destaca Brito.

A Transalvador reforça que os equipamentos não multam por si só. As autuações são resultado do descumprimento das regras de trânsito, e a fiscalização eletrônica tem como foco preservar vidas e induzir comportamentos mais seguros, sobretudo em corredores com grande circulação de veículos.

Os dados coletados pelos radares são monitorados continuamente e utilizados para orientar ações educativas, operacionais e de planejamento urbano, contribuindo para a melhoria da mobilidade e da segurança no trânsito de Salvador.

Por Marcos Vitório

Foto: Romildo de Jesus